0 1 C Antônio Carrilho de Castro vai ao Imperador Pedro II

Os filhos do boiadeiro TOTONHO sempre contavam que ele foi uma vez, junto com outros boideiros, ao Imperador D. Pedro II, reclamar de suas dificuldades na Fazenda Santa Cruz na Corte (RJ).

Esta fazenda foi confiscada aos jesuítas, em 1759, e ficou pertencendo ao rei e depois aos imperadores.

Eu consegui o abaixo assinado que os boiadeiros de Franca-SP fizeram e que relata perfeitamente as dificuldades de nosso herói PADRINHO TOTONHO:

O documento não é datado mas foi feito por volta de 1885, pelos nossos estudos do texto:

Senhor!

Os abaixo assinados criadores e invernantes do Município de Franca, Província de São Paulo, vêm pedir à Vossa Majestade Imperial a graça de conceder-lhes de seu representante na Corte do Império Capitão Belchior Pimenta de Abreu, preferência para a metade ma matança do gado que diariamente tiver de ser abatido no Matadouro Público de Santa Cruz.

Infelizmente não lhes têm até hoje aproveitado a sábia medida concedida pelo decreto nº 2046, de 9 de dezembro de 1857, com o intuito de proteger a indústria pastoril, porque os açougueiros e marchantes tendo tudo anarquizado no Matadouro, e a Ilustríssima Câmara Municipal da Corte tem dado tal interpretação ao disposto no supracitado decreto, que muito prejudica os interesses dos suplicantes.

Acontece, Senhor, que pelo estado de constante perturbação em que se acha o Matadouro Público de Santa Cruz, são os abaixo-assinados forçados a demorar, por muitas semanas, aí em Santa Cruz, seu gado, o qual, por estranhar as pastagens, vai, dia a dia, emagrecendo.

É verdade que para sanar tal inconveniente, foi criado a preferência para o invernista e criador, mas de que serve este benefício ou proteção se estes são obrigados, por não terem uma repartição sua no Matadouro, a entregar todo o gado da preferência aos açougueiros e marchantes, os quais, ao invés de zelarem os interesses daqueles que lhes pagão uma alta quantia para abater o gado, mais comprometendo a situação já criticas dos pobres criadores com o fim único de afastá-los do Matadouro?

Acontece ainda mais que, para depreciar o gado do criador invernistas, os mesmos marchantes e açougueiros aumentam a chacina diária na porção que lhes cabe.

A primeira vista parece que isto reverterá em benefício do consumidor, mas quem não sabe que este paga sempre a carne pelo mesmo preço embora ela seja muito ambulante no mercado?

Por esta exposição fica patente que o criador para não ter grande prejuízo de vender seu dado aos açougueiros e marchantes, sem poder abatê-los por conta própria, ficando deste modo burlada a medida de preferência como animação e proteção da indústria pastoril.

Para de uma vez para sempre se acabar com tais abusos, os suplicantes pedem, à V.M.I., que digna-te de conceder a Graça acima impetrada ao seu representante Capitão Belchior Pimenta de Abreu a quem confiam eles todo o gado que deste município tiverem que mandar para a Corte.

=

=

=

=

8 Respostas to “0 1 C Antônio Carrilho de Castro vai ao Imperador Pedro II”

  1. Paulo Santos de Castro Says:

    Não sei se posso contribuir de alguma forma mas estou curioso com esta historia Meu trisavô Chamava : Manoel Carrilho De Castro ; Fazendeiro estabelecido em Candeias MG . A fazenda que eu moro Chama SANTA CRUZ . Paulo Santos De Castro

    • capitaodomingos Says:

      obrigado.
      Sim, tem um rapaz aí em candeias com fotos da família, no livro do gomide deve ter alguma coisa. provalvelmente descendente do Antonio Maurilio C. de Castro. No meu face book adicionei os carrilho de castro que foram para goiás.

  2. Flávio de Castro Says:

    O rapaz citado sou eu. Paulo Santos de Castro é o Paulinho do Lindico?

    • Flávio de Castro Says:

      Manoel Carrilho era o pai do meu trisavô, o Capitão Joaquim Carlos de Castro (vulgo Joaquim Carrilho). Capitão Joaquim Carrilho foi avô do Monsenhor Castro e seu pai de criação. Seu pai Paulo, o Senhor Lindico, é filho de um dos filhos do Capitão Joaquim Carrilho. Deu pra você se situar?
      Agora voltando atrás no tempo:
      Manoel Carrilho por sua vez era filho de Antônio Maurício Carrilho, o maior proprietário de terras da região e o primeiro Juiz de Paz do Arraial de Nossa Senhora das Candeias. Antônio Maurício Carrilho de Castro era filho de Dom Lourenço Leitão Carrilho de Castro, alferes e signatário de sesmaria que era de origem espanhola, mais precisamente da Galícia, mas que passou por portugal antes de de radicar no Brasil.

      Estou a disposição para esclarecimentos e acesso ao material fotográfico em Belo Horizonte. Meu e-mail é fdcastro@ymail.com
      Sou o Flávio, filho da Marta Castro e neto de Maria Belo e Oswaldo de Castro (vulgo Oswaldo Carrilho).

      Abraço.

      • capitaodomingos Says:

        No mapa de população de formiga -1808, lourenço tem 60 anos portanto nascido em 1748 mais ou menos.
        No Centro da História da Família, achei um Lourenço, filho de Heitor Leitão, de 1748. Poderia ser ele.
        Se alguém achar algum inventário de Heitor LEITÃO, em MG , poderia ter um lourenço como filho.
        Se eu tiver fotografado o acento de batismo em piui da filha do Lourenço em 1803 mais ou menos eu vou postar. Infelizmente só dá o nome dos pais, mas em anos anteriores em piui, há muitos batismos com nomes de avós da criança que foi batizada.
        Assim, se, por exemplo, Lourenço batizou uma criança em piui em 1799, poderia ter o nome dos avós que seriam portanto os pais de lourenço. Nestes acentos de batizados de piui tambem dá a origem dos avos. infelizmente alguns dá apenas: DE PORTUGAL.

  3. Romulo Borges Arruda Says:

    Boa tarde! Sou estudante de história e estou fazendo uma pesquisa sobre o capitão Eduardo José de Alvarenga Formiga. Gostaria de saber se o mesmo teve algum tipo de ligação com Antônio Carrilho de Castro. Obrigado!

    • capitaodomingos Says:

      vizinho na rua capitao domingos e ambos construiram a igreja da Abadia. ambos vieram de formiga-mg.

    • capitaodomingos Says:

      eu tenho um jornal digitalizado em que o Capitão Formiga marca para 2 de maio de 1882 o começo de envio de madeira para os esteios da Igreja. as quais vieram da fazenda do meu avô a Batista.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: