0 0 0 0 0 0 Uberaba-MG – Seus habitantes, em 1827, com somente 186 lares – Nossos avós e nossos tios

Mapa de População de Uberaba-MG, de 1827, feito pelo Vigário Antônio José Silva.

Tomamos a  data de 1827 por conferir neste ano a idade do Sargento Mór Eustáquio, da Vovó Sibila, da Vovó Maria Joaquina.

É REGISTRADO 186 FOGOS, com todos os moradores deles, idade, sexo, estado civil e raça.

No mapa de população, está anotado, a lápis, 1832, o que está errado, a data deve se referir a outros mapas que estão juntos a  ele, pois, em 1832, já haviam falecido: Vovó Maria Joaquina falecida em 1828, e o Sargento Mor Eustáquio falecido em fevereiro de 1832; e a Vovó Sibila já estaria com 13 anos, pois foi batizada em dezembro de 1819.

Vovó Sibila com 8 anos em 1727 estaria correto. Ela nasceu em 1819.

É certo também esse mapa de população não é de antes de junho de 1826, pois já aparece o tio Sargento Mor Eustáquio casado com Antônia Angélica,  casamento que seu deu no dito junho de 1826.

Não dá para saber se está completo pois não há termo de encerramento.

Pode estar incompleto, pois a última página vai completa de nomes até o final, o que pode indicar que continuava em outra página.

Esse mapa tem o dobro de fogos que o Vigário Silva registra na sua obra sobre Uberaba-MG:

Leia aqui o texto que o Vigário Silva fala sobre a população de  Uberaba:

https://capitaodomingos.wordpress.com/0-0-0-os-silva-e-oliveira-na-fundacao-de-uberaba-pelo-vigario-silva-e-borges-sampaio/

No texto sobre Uberaba, o Vigário Silva pode se referir a exatamente esse mapa abaixo feito por ele, assim, os 91 primeiros moradores seriam da zona urbana e os restantes da zona rural e o restante 96 na zona rural, totalizando 186 fogos, estando  portanto faltando páginas, pois ele declara serem 300 fogos nas Zona Rural.

Possível explicação: O mapa pode estar incompleto pois termina o último nome no final de uma folha. Ou está incompleto ou foi coincidência de ter terminado certinho no final da folha.

ESSE TEXTO DO VIGÁRIO SILVA que fala em 300 fogos na Área Rural é posterior a 1824, pois o texto fala da Vila Franca do Imperador que foi criada em 1824. (promovida à categoria de vila em 1824).

Não há nenhum outro Mapa de População de Uberaba-MG tão completo como este com idade, raça, estado civil e nome de todos os moradores dos fogos.

Os mapas posteriores só dão números, exceto o feito em 1871 pelo meu avô Vereador Alferes Antônio Carrilho de Castro que foi vereador de 1869 a 1873 e que gastou 100.000 réis para fazer o primeiro censo do Brasil em Uberaba-MG e nunca foi reembolsado.

O segundo mais completo é o Mapa de População de Uberaba de 1871 (primeiro censo nacional do Brasil), o qual foi feito em Uberaba pelo nosso avô Alferes Antônio Carrilho de Castro e que registra só o nome do chefe de família e o número de moradores em cada fogo. Naquela oportunidade são registrados 3.000 almas em Uberaba. Em breve posto este mapa importante por dizer a rua em que moravam as pessoas. Ruas cujo nomes hoje são outros.

São os pioneiros de Uberaba, a partir daqui e de seus inventários, é possível montar a árvore genealógica dos pioneiros.

Aparece na primeira página, a Vovó Sibila, Vovó Maria Joaquina da Silveira, bisavós e trisavós do Boiadeiro Antônio Carrilho de Castro Filho. Não aparece a tia Ana Rodrigues Gondim  já casada, nem o tio Alexandre Rodrigues Gondim.

Aparece o Sargento Mor Eustáquio da Silva e Oliveira, nosso tio com 58 anos: correto então a data de 1827 para o mapa – ele nasceu em 1769

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História Topographica da Freguesia do Uberaba vulgo Farinha Podre (*) pelo Vigário Silva

Entre o Rio Grande e o Rio das Velhas na Provincia de Minas Geraes, Comarca de Paractú do Principe, julgado do Dezemboque Prelasia de Goyaz, está a Povoação de St°. Antônio e Sam Sebastião do Uberaba.

Os lugares que ela compreende, erão incultos e desertos até 1807, e apenas conhecida a estrada, que a atraves de S. Paulo para Goyas, onde residião alguns Indios, que tinhão sahido da Aldeia de Santa Anna, os quaes nunca tiverão animo de alongar-se para algum dos lados da mesma estrada, nem ao menos meia legoa, como depois se conheceo pelas culturas sempre visinhas as suas habitações: então Januario Luis da Silva, Pedro Gonsalves da Silva, José Gonsalves Eleno, Manoel Francisco, Manuel Bernardes Ferreira, e outros moradores na Freguezia de Dezemboque entrarão até a distancia de algumas lagoas de Sertão, e descobrindo lindas campinas, e optimos matos, appossiarão algumas Fazendas, e voltarão tanto por falta de mantimentos, como pelo terror, que lhes inspirava o Gentio Caiapó, cujo vestígio incontrarão em diversas partes.

Communicarão o resultado da sua entrada o S. Mr. Antonio Eustaquio da Silva, e a outros, e aquelle por gênio emprehendedor de novas descobertas projectou logo explorar todo o Sertão, que podesse, e convidou muitas pessos das Geraes para companheiros: entretanto passou para o Norte da Provincia de Goyaz o Coronel José Manoel da Silva e Oliveira, e sabendo e pertenção, que tinha e do Sargento Mor seu Irmão, a declarou o Eximo. Marquez de S. João de Palma, que então governava aquella Provincia que pertencia o Julgado do Desemboque, e este conhecendo quanto podia interessar esta nova descoberta, intervindo a direcção do referido S. Mr. de quem tinha muito boas noticias, o nomeou Commandante Regente dos Sertoes da Farinha Podre por Portaria de 27 de Outubro de 1809.

Nos primeiros dias do mez de Julho de 1810 o Sargento Mr. munido das necessárias provisões de mantimentos, associando-se os que primeiro havião entrado, e alguns outros Geralistas, formando todos huma bandeira de 30 homens ingredirão pelo Sertão dentro até o Rio da Prata na distância de 30 legoas, a contar-se o caminho em direitura, encontrando a cada passo o embaraço, já de Rios, já de pântanos, que dificultosamente transivão, sempre temerosos do Gentio, cuja existência se conhecia, os dos aqui, e ali.

He de notar se o perigo, que se achavão expostos estes emprehendedores, quanto aos animaes silvestres e ferozes, pelo o que aconteceu a Antonio Rodrigues da Costa, o qual acomettido cara a cara por uma onça pintada, que avançou furiosamente ao cavalo, em que hia montado, e o segurou com unhas e dentes, pode com destreza (depois de falhar-lhe o recurso da espingarda, cujo gatilho nunca mais o encontrou) defender-se com a espada, que trazia o lado, dando algumas estocadas, com a dor das quase largou a onça o cavalo, e fugio até morrer a chumbo, depois de perseguida pelos cães em um capão, que se achava vizinho, e que pelo acontecimento ficou denominado o capão de onça.

O referido Sargento M. e toda a sua comitiva depois de lançar algumas posses, ou sinaes pelo Sertão na decurrencia de dois meses, e feitas algumas pequenas rossas, voltou a cuidar de meios para transportar-se, assim como alguns de seus companheiros; pois havião todos conhecido a transcedencia, tanto dos campos, como dos matos.

Em 1812, quando a Povoação constava de uns poucos de moradores, alem dos Indios da estrada, fez segunda entrada, trazendo consigo muitas pessoas, que de novo convidará e alguns das quases o haviam acompanhado a primeira vez, entre as quases se contava o Reverendo Hermogenes Casimiro d’Araujo, que dormia junto a ele em certa noite, quando huma grande cobra Jararaca-assú passou por cima de ambos e sendo percebida, a expellirão com a colxa, e depois a matarão, antes de que mordeu a um cão, que imediatamente morreu, o que de certo aconteceria aos dois, se a fortuna os não bafejasse.

Depois desta segunda entrada, as noticias, que derão os que haviam acompanhado a S. Mr. os convites e as persuações deste atrahirão em breve muitas pessoas, que vinham das Geraes a procurar novos estabelicimentos, não obstante o medo de Gentio, que se antolhava.

Em 13 de Fevereiro de 1811 obtiverão o mesmo S. M.  Eustaquio e outros Provisão da Meza da Conciencia e Ordens para erigirem uma Capela com o Orago da Senhora do Monte de Carmo; mas até o presente não levarão a pratica sua pertenção, sem duvida, porque a povoação do lugar, onde querem e rigir a referida Capella, ainda hoje é muito pouco considerável.

Em 1812 se levantou no sitio chamado o Legeado uma pequena Caza de Oração, onde se colocarão Santo Antonio e Sam Sebastiam: celebrou ali por pouco tempo os Santos Mistérios com Autoridade de Reverendo Antonio Jose Tavares Vigario do Desemboque o P. José de Moraes; e depois se transferiu por comodidade para a margem do (Rio) Uberaba junto a estrada de Goyaz, onde está hoje formado o Arraial.

O referido P. Moraes demorou-se apenas até junho de 1813, e despediu-se, ficando os poucos moradores que estão existiam com os recursos espirituais muito distantes até Maio de 1814, quando entrou por Capellão o Padre Silverio da Costa Oliveira legitimamente autorizado, o qual esteve até 7 de Setembro, dia ‘em que se retirou’ para a Capela de N. Senhora S.S. Sacramento do Burá.

Em 17 deste mesmo mês de Setembro e ano de 1820 tomou posse de Vigario da Freguezia, erecta alguns meses antes a requerimento do S. Mr. Antonio José da Silva, que atualmente serve:

Tem a Freguezia de longitude mais de 40 legoas, e de latitude mais de 20, e de sua Filial a Capela de N. Senhora das Dores distante da Matriz 10 legoas, erecta em 1823.

Divide pelo Nascente com a Freguesia do Desemboque pelo Ocidente com o Sertão, pelo Norte com as Freguesias do Araxá, e Aldeia de Santa Anna, e pelo Sul com a Freguesia da Villa Franca do Imperador.

Dista o Arraial do Uberaba da Cabeça do Julgado 18 legoas, do Araxá 22, da Aldeia de S. Anna 15, da Villa Franca 15, e da Cabeça da Comarca(Paracatu) 60.

Contem a Freguezia dentro do Arraial 91 fogos habitados, e fora 300. A sua Povoação, que em 1820 constava de 1.300 almas monta hoje a 3.000 a fora os Indios Aldeianos a margem do Rio Grande na distancia de 40 lagoas do Arraial, cujo numero excede a 1.000 de ambos os sexos.

Este Indios (Caiapos) passeião de tempos em tempos por toda a Freguesia; mais não commettem a menor hostilidade, o que se deve sem duvida ao jeito, e ao amor, com quem tem sido sempre tratados pelo Sarg. Mor Antonio Eustáquio da Silva, que os visita todos os anos, prodigalizando-lhe roupas, e ferramentas, ora a sua custa, ora a custa da Fazenda Pública e também em cooperado muito para a sua pacificação João Baptista de Siqueira, que mora visinho aos mesmos indios, com que tem freq. Comunicações e os supre, muitas vezes, com mantimentos do seu Paiol.

He por lamentar-se a desgraças destes Entes embrutecidos; por isso que não se tem adoptado as necessárias e urgentes medidas para a sua cathequisação.

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10 Respostas to “0 0 0 0 0 0 Uberaba-MG – Seus habitantes, em 1827, com somente 186 lares – Nossos avós e nossos tios”

  1. Adelino Pinto da Silva Says:

    Nasci em Uberaba em 1935. Tenho profundo interesse em nossa História. Belo trabalho.

  2. Daniel Alves Rezende Says:

    Gostei muito do seu blog, sou de Goiás e também historiador. Estou pesquisando a fim de publicar um livro, minha família chegou a região de Uberaba em 1818, saindo da atuais cidades de Itabirito, Conselheiro Lafayete (Queluz) e Campo Belo. Começa por João Pereira da Rocha que fundou a Fazenda São Francisco, hoje no município de Uberlândia, mais naquela época pertencente a Uberaba. Também outros fundadores de sesmaria no município de Uberaba, são meus antepassados: Francisco Rodrigues Rabello, Fazenda Mata do Rio Claro ou Ribeirão da Rocinha; os irmaõs José e Caetano Alves de Rezende, fundador da Fazenda Monjolinho, etc.Também descendo dos Rezende, Carrijo, Rodrigues e os Ferreira da Fonseca, estes últimos saíram de Araxá para a zona rural de Uberaba por volta de 1830. Gostaria de saber se entre esses mapas de população, tem algum que conste a população rural, o que muito poderia me ajudar.

    Contando a com sua prestigiosa ajuda, encerro votos de um Feliz Ano Novo!

    • capitaodomingos Says:

      excelente. mande sua genealogia para publicarmos. estes rochas são muito importantes. há outros comentários aqui sobre gente que tambem pesquisa esta marcha para o oeste de conselheiro lafaiete, inclusive neste site estou acrescentando eles que foram para franca-sp e tambem leia sobre isto no site http://www.madrinhadasserra.com que tem muita gente de Lafaiete.

    • capitaodomingos Says:

      neste site tem mais sobre gente de lafaiete que estou acrescentando. tambem existe o livro do chiachiri filho, sobre eles em franca. e leia também, nas páginas da madrinha da serra, os souza e outros. http://www.madrinhadaserra.com

  3. marcos mauricio mendes lima Says:

    No ensaio sobre a história de Araxá: “Nas Águas Passadas à Terra do Sol”(1999), da jornalista Glaura Teixeira Nogueira Lima, na página 37, a data correta da Sesmaria de Alexandre Rodrigues Gondim, é 1769 e não 1785. Confirmo, pois eu tenho 2 volumes do Índice de Sesmaria (edit/ em 1900 & 1914 – APMMG) – Organizado por José Pedro Xavier da Veiga & Theophilo Feu de Carvalho.

  4. Eduardo Alves Diniz Says:

    Excelente, está página salvei no meus favoritos. Estou tentando montar uma árvore genealógica, e está dando um trabalho danado, porém é muito gratificante, de tanto pesquisar, descobrimos história que provavelmente nunca saberíamos. Meu Pai (Alan Kardec Alves Diniz) nasceu em Uberaba/MG em 1936, até o momento não localizei nenhuma informação e parentes que nunca conheci. A única coisa que sei, que vieram para SP quando meu pai tinha aproximadamente 15 anos.

  5. Celso PROVENZANO Says:

    Por favor teriam como passar um mapa mas com exatidão das aldeias que ficaram aqui no Municipio de Uberaba , pretendo registrar e buscar junto a gestão a preservação destes locais

    • GENEALOGIA SILVA OLIVEIRA Faleiros, Leme, UBERABA-MG FRANCA-SP MADRINHA DA SERRA Says:

      Procure neste site o mapa de goias e outros. tenho uma pagina de mapas. procure em todos os livros de viajantes e nos mapas do arquivo publico mineiro. não acredito que encontre. nas cartas do eustaquio para o governador de minas (tem centenas que barbosa pesquisou) e nunca pesquisadas cartas de eustaquio para o governo de goias no arquivo goiano.

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